quinta-feira, 15 de abril de 2021

Clássico na área! Garrard 301 Grease Bearing.

 Falaaaaa galerinha viciada em vintages! Regence Audio trazendo mais um restauro para vocês!

Hoje vamos falar sobre um restauro muito especial, de um grande clássico para quem gosta dos bolachões, o Garrrard 301 - versão grease bearing.

Este equipamento precisava de um restauro completo, e a ideia seria seu uso dedicado a tocar vinis mono, para um setup totalmente dedicado à audição de vinis originais em gravações mono. 

E foi assim que tudo começou ...



    O primeiro passo é sempre dar uma verificada em tudo que necessita ser importado para o restauro, pois importações sempre levam tempo e quanto antes fizermos os pedidos, melhor! Por sorte, para estes Garrard clássicos, se acha de tudo para comprar lá fora, sem dificuldades. Ainda existe enorme demanda por estas peças, o que comprova que muitos destes ainda estão sendo usados ao redor do mundo, mesmo tendo sido fabricado a partir de 1953!

   

    Tínhamos apenas o toca discos e o prato. Nenhum braço, nenhum mat, nenhum plinth. Tudo teria de ser importado. Além disso, percebemos que a alavanca de troca de velocidade foi trocada por um knob.


    Hora de colocar a mão na massa! O primeiro passo foi desmontar e lubrificar tudo. Um ponto importante a ressaltar para este Garrard é que ele é a versão mais desejada, a grease bearing, ou seja, por rolamento com graxa e não por óleo. De cara quando desmontamos o aparelho percebemos que ele estava todo lubrificado incorretamente com óleo, e não com a graxa correta. Para que o Garrard 301 funcione corretamente, na velocidade correta, com o knob de velocidade dentro do range ajustável, é essencial que a lubrificação seja toda feita com graxa, e uma graxa super especial, de baixíssima viscosidade. Use graxa comum e ele girará lento demais, use óleo e ele girará muito rápido, algumas vezes até sendo impossível um correto ajuste pelo knob de controle de velocidade... fica a dica! Tem que usar a graxa correta!






Tudo desmontado, limpo, seco. Hora de remontarmos e aplicarmos a graxa! Como a graxa é bem líquida, pode ser aplicada com uma seringa.





Agora olhem a situação do cabo de força, que foi trocado por um aterrado para maior segurança de operação:


Enquanto isso as peças que importamos chegaram! O plinth custou uma fortuna para ser importado, já que ele por si só já pesa quase 16Kg. Recebemos o plinth, o mat original NOS, o braço e a alavanca de mudança de velocidades, também original.





Hora de começarmos a montagem enquanto as outras peças importadas não chegam.





O braço escolhido foi um Rek-O-Kut S160, pois ele seria perfeito para o uso deste toca discos: aceita cápsulas mono de relutância variável com troca rotativa de agulhas e toca vinis de qualquer tamanho, até 16 polegadas mono antigos. A ideia é que este Garrard seja um toca discos capaz de tocar qualquer disco mono que exista, por mais raro e maluco que seja. 


    Braço com perfeito encaixe e alinhamento, hora de garantir que o toca discos também está com encaixe perfeito na base!


Tudo perfeito, está começando a ficar bonito hein?!?!

Enquanto isso, chegaram mais peças! Resolvemos usar neste toca discos a cápsula mono mais clássica e glorificada da década de 40. Encontramos uma novinha na caixa, nunca usada, comprada em 1949! Olha que raridade...




    Apresento-lhes a belíssima GE RPX-053 Golden Treasure. Esta é a cápsula certa para quem quer ouvir um autêntico vinil mono de 1940, e tem uma enorme flexibilidade, já que possui troca de agulha rotativa, podendo ser usada em vinis mono de 78, 45 e 33 rpm.

    Para dar um toque ainda mais charmoso ao Garrard, conseguimos importar também o disco promocional original da Garrard que vinha com o 301, para encaixe no mat. 


    Por fim, importamos também um clamp usinado em alumínio cru, para combinar com o braço Rek-O-Kut e arrematar a beleza desta obra prima!



Vejam como ficou lindo!!



Agora, o único jeito de entender mesmo a beleza deste Garrard em funcionamento é com um vídeo não é! Pois aqui está!






Obrigado a todos por acompanharem nosso trabalho e até a próxima!

sábado, 20 de fevereiro de 2021

O Maravilhoso Gravador de Rolo Revox E36 - Valvulado !

Falaaaaaa meus amigos!

Dessa vez chegou até nós uma raridade de dar inveja!! Um Revox E36 valvulado!

Pois é, este aqui que recebemos foi fabricado em 1962, e é o vovô do que viria a ser um modelo mais famoso, o G36 (lançado após o F36).

Recebemos ele com dois desafios: o primeiro deles uma revisão geral (o aparelho ficou mais de 40 anos parado, e quando foi ligado, acabou soltando fumaça) e um upgrade: transformá-lo em 15 IPS de seus originais 7,5 IPS. O segundo desafio, também complicado: a logomarca, originalmente em alumínio pintado, estava faltando. Teríamos de dar um jeito de arrumar essa logo, de um aparelho raro como esse! Essa vai ser difícil...

Primeiro, antes de mais nada, temos de verificar qual a extensão do dano causado pelo equipamento ter sido ligado depois de ficar tanto tempo parado. Fumaça é sempre um péssimo sinal, pois obviamente algo entrou em curto, e dependendo da corrente e do tempo que a mesma esteve presente, podem haver danos severos a componentes.

AVISO A NOSSOS LEITORES: SEMPRE QUE DEIXAR SEU VINTAGE ARMAZENADO POR UM PERÍODO MUITO LONGO, VALE A PENA QUE O MESMO SEJA ENVIADO PARA AVALIAÇÃO ANTES DE LIGÁ-LO. ISSO EVITARÁ POSSÍVEIS DANOS EXTRAS E DOR DE CABEÇA!

Por sorte, neste caso aqui, a fumaça saiu dos capacitores supressores das chaves de folha de acionamento do transporte. Nada que não possa ser reparado. Reparem que ocorreu inclusive um trincado enorme no capacitor...



Além disso, percebemos que alguém já havia efetuado reparos prévios neste aparelho, e o fez de maneira deplorável, substituindo diodos de roda livre por transistores.... apesar de 'funcionar', é uma grande gambiarra, além de que o trabalho de solda e layout dos componentes foi péssimo!



É uma pena ver o tipo de trabalho que muitas vezes é feito nestes aparelhos vintage, que ao invés de serem preservados, acabam sendo praticamente canibalizados. Onde já se viu ter preguiça de comprar diodos e soldar desse jeito, quase provocando vários curtos em locais de alta tensão, usando transistores canibalizados de outros equipamentos? Fizemos uma revisão completa nas chaves, trocamos todos capacitores supressores e instalamos os diodos de roda livre corretos.

Neste ponto, o gravador já funcionava. Por sorte, todas válvulas estavam boas e originais. Fizemos um breve teste apenas para ver se tudo estava funcionando em ordem:


Agora, o próximo passo seria fazer a modificação para 15 IPS, que não é nada fácil neste equipamento. O primeiro desafio é acelerar a rotação do motor de capstan, dobrando sua velocidade. Por se tratar de um motor AC Síncrono, isso é impossível sem alterarmos a frequência da rede da alimentação (ou reenrolar o motor modificando seus polos), o que envolve instalar um pequeno conversor de frequência e amplificador interno. É factível, mas envolve uma modificação severa no gravador, não muito simples de ser desfeita caso o proprietário queira voltar às velocidades originais.

Existe então uma segunda opção, que é usinar uma bucha a ser inserida sobre o eixo do capstan, dobrando seu diâmetro e portanto dobrando a velocidade de rotação da fita. Parece simples, mas esta solução cria um outro problema: o caminho da fita é alterado, e precisa ser modificado para acomodar este eixo mais grosso. Além disso, a bucha precisa ser usinada com precisão absoluta, para que mantenham-se as especificações originais do gravador.

Em ambas opções, a rede de equalização deve ser alterada, algo simples de ser feito.

Para tomarmos a decisão sobre como prosseguir, devemos considerar que temos em estoque um E36 e um G36 para uso de peças, caso necessário. Em segundo lugar, vale a pena ressaltar que este E36 que estamos modificando era originalmente de 50Hz, e é necessário que tenhamos a possibilidade de voltá-lo completamente a originalidade caso necessário.





A alteração através de um inversor de frequência seria apenas eletrônica, mas para uma modificação eficaz, teriam de ser feitas alterações ao chassi do equipamento, para montagem de todos os componentes extras, dissipação de calor, instalação de nova fonte, etc. Seria um retorno a originalidade mais difícil, e por este motivo, decidimos por prosseguir com a segunda opção.

Para a segunda opção, de cara já teríamos um motor rodando 20% mais rápido (ao operá-lo em 60Hz ao invés de 50Hz), o que reduziria o aumento necessário do diâmetro da bucha para o capstan, e ao mesmo tempo permitira que uma menor correção ao caminho da fita fosse feito, e esta poderia ser feita deslocando o motor do capstan para trás em 1mm, ou muito mais facilmente, deslocando o conjunto de cabeças para frente em 1mm através do uso de novos parafusos usinados com um corte de 1mm. O retorno a originalidade poderia ser imediatamente feito retirando-se a bucha do capstan e trocando os parafusos modificados por parafusos originais (que temos a disposição graças a nosso E36 de peças).

Este processo de modificação é um tanto quanto técnico, e, de maneira geral, sempre tento deixar o Blog uma leitura mais leve. Desculpe se exageramos, mas esperamos que nossos leitores tenham compreendido que, muitas vezes, modificações aparentemente simples tornam-se demasiadamente trabalhosas e de difícil análise e implementação. 

Bem tomada a decisão, é hora de tornear a bucha do capstan! Bucha super centrada, torneada na exata dimensão. 



Feito isso, substituímos os parafusos das cabeças, rede de equalização  e alinhamos tudo. O teste de gravação e reprodução em 15 IPS é um sucesso!



Agora vamos ao segundo problema, a falta da logomarca Revox. Se vocês pesquisarem por E36 no google imagens, facilmente perceberão que a logo da Revox usada aqui é bastante particular, e diferente das logos usadas posteriormente pela empresa. Tentamos de todo jeito encontrar uma logo dessas para importação, mas não conseguimos. A opção, foi então fazer uma! Para isso, pedimos a ajuda de nosso grande amigo Lincoln, que possui uma CNC perfeita para o trabalho! Ele muito nos ajudou, projetando e fabricando a logo.




E o resultado final?


Ficou bonita não ficou? Pois é, agora é hora de resolvermos outro problema. A logo original é pintada, da mesma cor de acabamento do painel frontal, um verde claro acinzentado estranho rs... a solução? Mandamos uma amostra da cor para um fabricante de tintas, que rapidamente nos retornou com a lata de tinta na coloração correta!


O próximo passo agora é iniciar a pintura!



Após a secagem, ficou assim:


Se você pesquisou por esta logo no google, verá que as letras da logo original deveriam manter o acabamento em alumínio, enquanto o restante da logo é que é pintado. Para resolver isso, basta lixarmos as letras e borda, e nossa logo estará pronta!


Ficou linda, não ficou??

Agora só falta instalarmos no E36 e conferirmos se a tonalidade bateu mesmo...


Perfeita! Mais um belo clássico que volta a ativa com sucesso, pronto para mais 60 anos de uso!

Em breve, novas restaurações por aqui, siga-nos no Facebook e Instagram e acompanhe nosso trabalho!



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Clássico atemporal: Marantz Consolette Model 1 Valvulado

Falaaaa galerinha amante dos vintages! Estamos de volta com um grande clássico desta vez!

Recebemos para restauro um Marantz 1 Consolette. Este chegou de um cliente que tem um setup mono montado especialmente para ouvir vinis mono em 33/45/78 rpm e fitas de rolo mono Full Track, por isso, não se trata do par, apenas de uma unidade. 

Vocês não imaginam o quanto é comum por aí quem tenha setups mono montados, específicos para ouvir os discos Mono da forma como deveriam ser ouvidos!! Nos acostumamos tanto com os sistemas estéreo que às vezes nem imaginamos a grande importância dos sistemas mono que vieram antes destes.

Para quem não conhece o Marantz 1, quero lembrar antes de começarmos que este equipamento usa uma fonte externa, separada do gabinete principal. Recebemos com o Pré uma fonte fabricada, ou seja, a fonte que recebemos não é a fonte original da Marantz, mas sim uma que foi feita por alguém para uso com este Pré. O proprietário preferiu não importar uma original, mas sim apenas restaurar toda parte eletrônica da fonte montada de forma a poder usá-la confiavelmente.

O objetivo do proprietário neste restauro não é manter a originalidade absoluta, mas sim gastar todo necessário para garantir uma operação perfeita e confiável, pois o equipamento seria usado diariamente.

O Pré chegou até nós com uma aparência bem ruim: 



Vocês já sabem que aqui na Regence, gostamos dos desafios não é mesmo? Como sempre, vamos começar pela fonte. Iniciamos o trabalho desmontando e analisando o estado e as tensões... não foi surpresa descobrir que estava tudo errado. A tensão de filamento estava quase 50% acima do nominal, enquanto a tensão de B+ (placa das válvulas), estava 25% abaixo da nominal, tudo por culpa de um transformador que, ao que tudo indica, foi reaproveitado de outro aparelho na montagem desta fonte substituta. Além dos problemas nas tensões, haviam vários outros problemas.

Vamos tentar achar o erro na foto abaixo? Dê uma olhada e comente nos comentários no fim desta postagem  e veja se você acertou.... a resposta está logo abaixo da foto:




Se você não viu o problema, olhe com bastante atenção o porta fusíveis... alguém soldou um fio nele substituindo o fusível original! Poxa vida, um fusível custa apenas alguns centavos... mas alguém achou que não valia a pena investir alguns centavos neste Marantz. 

Reparem a seguir que a fiação da fonte original estava muito bagunçada. Isso não é crítico (neste caso, em muitos outros sim), mas nosso perfil de neuróticos por perfeição faz com esse essa bagunça de fios exagerada e desnecessariamente longos nos deixe a beira de um colapso nervoso...




Decidimos por refazer a fonte por completo, e o primeiro passo é projetar e enrolar um novo transformador com as mesmas especificações do original da Marantz, além de substituir todos diodos de B+ por versões UF (Ultra Fast), refazer a fiação, soldas, etc. Primeiramente, fizemos um novo transformador:




Depois, prosseguimos com a montagem completa. A fonte finalizada ficou assim:




Agora que temos uma fonte perfeitamente funcional, com todas as tensões e disponibilidade de corrente corretas, vamos verificar o estado geral do Pré. A primeira surpresa é que alguém resolveu arrancar o soquete junto com a lâmpada original piloto e remendou um LED com fita isolante, vejam que horror:




Vamos remover a fita e ver o que tem enrolado nela?



Um LED remendado com fita isolante e colado ao painel... bom, de cara já vamos instalar um soquete novo e colocar de volta a lâmpada original. Por sorte, conseguimos encontrar todos componentes para importação.




Agora é só soldar os fios e vejam só que beleza... um trabalho limpo e sem gambiarras!




O próximo item que nos chamou a atenção foram alguns capacitores. Um deles, este verde que aparece na foto a seguir, ficou extremamente mal instalado, além de ser desnecessariamente muito maior que o ideal... parece que alguém antes de nós fez um daqueles reparos sem qualquer planejamento e importação dos componentes corretos, acabou usando qualquer coisa que já tivesse em mãos, e o resultado final foi um Pré que não funcionava bem, obviamente.  A seguir uma foto de como estava o Pré por dentro quando o recebemos.




Como o restauro já estava bastante dispendioso devido a grande necessidade de importação de peças com dólar alto, o proprietário pediu para fazermos apenas as trocas de componentes necessários, sem upgrades. Fizemos um recap apenas onde era realmente necessário...





Em seguida, percebemos que este Marantz sofria de um problema comum a todos estes aparelhos: os isolantes de borracha, que protegem a placa das válvulas de vibrações externas, estavam totalmente deteriorados pelo tempo, ressecados e quebradiços.





A única solução correta aqui é importar novos isolantes e instalá-los... vejam como ficou depois:




Falando em válvulas, todas as 12AX7 deste pré estavam descasadas em marca e transcondutância, uma bagunça! Resolvemos instalar válvulas New Old Stock (NOS) RCA, que no momento desta postagem está em estoque e em promoção em nossa loja:



COMPRE AQUI AS VÁLVULAS RCA 12AX7 NOS


A seção de filtragem da tensão de entrada do pré também foi toda revisada e os devidos componentes substituídos.




Por fim, temos de cuidar da parte estética não é? Os knobs estavam todos enferrujados...



Estavam feios não é? Mas não é nada que uma cuidadosa galvanoplastia não resolva, vejam o resultado!




Agora é só colocar tudo no lugar!


Na hora de fazer estes restauros estéticos, é sempre importante que o mesmo seja feito de forma a manter o visual vintage de um equipamento usado. A ideia aqui não é fazer que tudo se pareça absolutamente novo... muito pelo contrário! O ideal é que tudo tenha uma aparência compatível com a idade do aparelho! Veja como os knobs ficaram bonitos e ao mesmo tempo com uma bela aparência de uso, fazendo com que o aparelho não pareça ter sido restaurado, pois mantém uma aparência extremante fiel com as marcas e sinais que deveria ter pela sua idade. Usamos aqui o mesmo conceito usado em restaurações de armas, relógios e outras antiguidades. Todo restauro deve trazer de volta o item a seu funcionamento e integridade estrutural, mas deve resguardar a aparência de um belo clássico vintage!  O pior que se pode fazer a uma arma ou relógio antigo em um restauro é modernizá-lo e remover a bela pátina que lhe confere autenticidade, idade, e valor para um colecionador. 

Vejam que beleza, o Pré ficou lindo, com a devida aparência de um verdadeiro vintage, e ainda funcionando e tocados maravilhosamente bem! Temos certeza que ele funcionará confiavelmente por um longo tempo agora!



Em breve tem mais por aqui meus amigos!! Visite-nos sempre e acompanhe nosso trabalho!