É com prazer que anuncio que inauguramos nossa nova loja virtual para venda de válvulas e mídias raras. Temos listado apenas um milésimo do que temos em estoque, mas iremos cadastrar tudo aos poucos. Dei prioridade a anunciar primeiramente o que temos de melhor em termos de custo benefício para quem quer iniciar suas aventuras com válvulas New Old Stock raras em seus upgrades!
Acompanhe os serviços realizados pela Regence Audio especializada em reparos, restauros e consertos em amplificadores e equipamentos de áudio Hi-End valvulados em Belo Horizonte.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Loja Virtual Regence Audio
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Restauração de um raríssimo Amplificador Western Electric
Este post é para quem gosta de raridades, raridades raríssimas raras!
Chegou até nós para restauração e reparo um raríssimo amplificador Western Electric KS-16575 L1. Este é um aparelho bastante raro, é dificílimo inclusive encontrar informações sobre ele na internet (podem tentar rs.... não se acha nadinha sobre eles... exceto algumas poucas páginas em japonês).
Vou contar um pouco sobre estes amplificadores, para que vocês conheçam um pouco já que na internet não se acha nada. Estes equipamentos foram criados e projetados pela Western Electric no final da década de 50 para uso industrial, tanto em telefonia como repetidores ou para sonorização de ambientes internos (fábricas, auditórios, grandes empresas, etc.). Estes aparelhos, apesar de projetados pelas Western Electric, foram fabricados sob encomenda por outra gigante do áudio: a McINTOSH. Este amplificador possui apenas 10Watts de potência, mas opera em Classe A, ou seja, possui uma qualidade de áudio fantástica, como não podia deixar de ser, sendo resultado de duas gigantes do Áudio Vintage. Amplificadores como estes eram presos a racks de instrumentação, com controles frontais a mostra para sua operação.
Os KS-16575 L1 são aparelhos mono, e recebemos um par para restauração.
Dados escritos no Amplificador
Um dos amplificadores durante restauração
É possível perceber pelas fotos que estes aparelhos não possuem conectores RCA, banana ou spade para conexões de entrada e saída de áudio. O motivo para isso é bem simples: são amplificadores para uso industrial, e todas as conexões são feitas por cabos internamente, através de borneiras com parafuso.
Borneiras internas para conexão
Quem conhece a REGENCE AUDIO, sabe que somos maníacos por originalidade. Afinal, todos estes equipamentos foram fabricados e projetados para possuírem uma certa sonoridade, e possuem um valor histórico por terem marcado época do início da indústria do áudio. Vemos por aí inúmeros restauradores que não se preocupam com originalidade: só querem deixar o equipamento bonito e funcional, a fim de atrair a atenção de possíveis compradores desavisados que não têm conhecimento técnico suficiente para avaliar o real estado do equipamento. Já passou por nossas mãos aparelhos com componentes colados com cola quente, e uma pintura externa muito bonita, mas totalmente não original e sem primer, ou seja, sem qualidade alguma.
Vale reparar que estes aparelhos antigos costumam ter a data e fabricação impressa em seu interior. Neste Wstern Electric, encontramos a data de 13 de Agosto de 1962! É um item histórico e colecionável, que só pode ser restaurado por pessoas criteriosas e cuidadosas, ou todo o valor do item acaba sendo perdido.
Data de fabricação do aparelho
No caso deste Western Electric, optou-se por manter toda a pintura (que é original) e todas as conexões originais, fazendo-se apenas a troca de componentes que necessitavam troca, por equivalente antigos. Na maioria das vezes importamos EXATAMENTE o mesmo componente New Old Stock. Quando isso não é possível usamos componentes de mesmas composições e características elétricas: por exemplo, se um capacitor de papel em óleo antigo precisa ser substituído, usamos outro equivalente, de mesma composição (papel em óleo). Isso preserva ao máximo a sonoridade e as características que o projetista original vislumbrou quando do projeto do aparelho.
O primeiro componente que precisava de reforma ou troca era o capacitor eletrolítico multi-seção da fonte. Nós SEMPRE optamos por tentar restaurar estes capacitores, através de um lento processo de carga, descarga e recarga com corrente monitorada, através do uso de uma fonte de alta tensão e um Datalogger industrial da Keysight Agilent 34970A. É um processo que nos toma de 5 a 10 dias POR SEÇÃO do capacitor. No caso de um capacitor com 4 seções, o processo de restauração pode levar até 40 dias... mas o resultado é fenomenal. No caso destes Western Electric, optamos por recuperar todos os eletrolíticos de fonte usando este método. No fim da recuperação cada eletrolítico foi testado com uma tensão 10% superior a máxima especificada e a corrente de fuga ficou abaixo dos 80 uA (micro Amperes), ou seja, resultados melhores que a maioria dos capacitores eletrolíticos modernos disponíveis no mercado. Este é um processo de restauração muito demorado e que ninguém quer fazer... mas é a melhor forma de se manter a originalidade de um aparelho raro, conforme foi solicitado pelo proprietário dos aparelhos. Vale lembrar que, no entanto, nem sempre esta recuperação é possível, e é essencial que a troca seja feita caso os testes de performance indiquem que o componente não terá muita vida útil. Mais importante que a originalidade é a segurança de operação e durabilidade do reparo, sempre!
Capacitor eletrolítico original
Vista interna durante a restauração
Troca da lâmpada pilot queimada e instalação do jewel faltante
Em sua parte frontal, estes Western Electric possuem controle para operação, incluindo dois atenuadores de passo para controle preciso do volume. Ao desmontar os controles, confesso que esperava ver resistores de precisão ligados às chaves de onda, mas todos os resistores usados eram de carvão e muito comuns à época. Por experiência, já sabia que estes resistores costuma sair de tolerância, e resolvi testá-los um a um.
Atenuadores de passo
Por mais inacreditável que possa parecer, todos resistores estavam dentro de tolerância! Isso é uma ótima notícia, pois a troca por resistores de precisão em metal filme ou óxido, apesar de melhorar a precisão de funcionamento dos atenuadores, com certeza influenciaria a sonoridade final, o que não seria tolerável conforme pedido do cliente. Mais uma vez, originalidade total mantida.
A escolha das válvulas também foi feita a dedo. Somente usou-se válvulas NOS.
Válvulas New Old Stock
Por fim, cada aparelho foi montado, passou por todos os testes de nossa bancada e foram ouvidos por 12h, permanecendo ligados por 36h ininterruptas para se garantir o pleno funcionamento. Ao final deste período, todos os testes em bancada foram refeitos a fim de se ter absoluta certeza que tudo continuava dentro dos parâmetros esperados.
Restauração terminada
O par de aparelhos já está finalizado e agora segue para seu dono, que com certeza desfrutará de muitas horas de boas audições nesta raridade.
Agora vamos ao próximo porque a fila para restaurações está enorme!!
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Pode um velho amplificador valvulado fazer a música que você ama soar melhor?
Olá pessoal,
Nessas minhas 'andanças' pela internet frequentemente me deparo com artigos interessantíssimos sobre valvulados e aparelhos vintage em geral. Grande parte das vezes acabo não publicando nada aqui no blog, por falta de tempo. Um destes artigos, sobre válvulas antigas, não só me decidi por publicar como traduzi todo o artigo do inglês para o português. Deu muito trabalho, mas era tão interessante, que não resisti. Para quem não sabe do que estou falando, basta clicar aqui para ler o post completo.
Hoje vou apenas recomendar uma boa leitura sobre os valvulados. Praticamente tudo o que leio pela web está em inglês, e este artigo não foge a esta regra. Com exceção deste meu blog, não conheço NENHUMA página totalmente devotada a valvulados, em especial os vintages, em português e com frequentes atualizações. Conteúdo em português nesta área é bem raro.
O texto que vou recomendar hoje é um artigo da Collectors Weekly, intitulado "Pode um velho amplificador valvulado fazer a música que você ama soar melhor?"
É um artigo bem longo, mas vale a pena a leitura, sem dúvida!! O artigo passar por décadas de evolução dos valvulados e por marcas e bandas icônicas.
Para ler o artigo em inglês, clique aqui.
Para aqueles que não têm grandes habilidades em inglês, incluo um link do artigo traduzido para o português pelo Google. Para ler em português, clique aqui.
Boa leitura!!!!
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terça-feira, 25 de agosto de 2015
Celebridades e Valvulados Vintage - Albert Einstein
Pessoal,
Recentemente encontrei dados sobre o amplificador usado por mais uma celebridade: Albert Einstein. Portanto, resolvi escrever uma terceira parte sobre celebridades e seus valvulados.
Ao contrário do que poderíamos acreditar, Einstein não usava uma marca famosa ou comercial de amplificadores. Ele também não projetou seu próprio valvulado. Ele simplesmente optou por usar um aparelho montado, com um circuito baseado na famosa tipologia Williamson.
O circuito em si não traz grandes novidades, mas parece ser um bom projeto, que com certeza soará bem mesmo nos dias de hoje, caso alguém se aventure a montá-lo. Com certeza, seria bem interessante poder dizer que ouvimos música em um amplificador igual ao usado por Albert Einstein rs... Para quem não sabe, Einstein era um grande fã de Bach e Mozart, e abominava Wagner:
"I admire Wagner’s inventiveness, but I see his lack of architectural structure as decadence. Moreover, to me
his musical personality is indescribably offensive so that for the most part I can listen to him only with disgust."
—Albert Einstein quoted from Einstein and his Love of Music
his musical personality is indescribably offensive so that for the most part I can listen to him only with disgust."
—Albert Einstein quoted from Einstein and his Love of Music
A estória por trás deste aparelho é bem interessante: ele foi projetado e montado pelo Engenheiro Jack Rosenberg em 1949 e entregue como presente a Albert Einstein por Oppenheimer. O projeto original, que será publicado neste artigo, nunca foi copiado, pois permaneceu um segredo até recentemente:
"In the recent issue of "Make" magazine (Vol. 6), they had a back-page article about a home-built tube amplifier based on a one-off design done as a 70th birthday present for Albert Einstein.
To summarize the article, it was designed and built by Jack Rosenberg in 1949. Rosenberg was an electrical engineer working on the earliest digital computer projects at Princeton, as well an audiophile. It was known amongst his colleagues that he built his own home amplifier and it was judged to be far superior to commercially available models.
Erwin Panofsky, an art historian at Princeton and a friend of Einstein's, heard about Rosenberg's amplifier and asked Rosenberg if he would build one for "The Professor." He agreed, and along with Oppenheimer personally delivered the amplifier to Einstein at his home.
I'm presuming that up until the recent home-built project, the design was not built again as the schematic was not published (it remained in Rosenberg's personal papers until recently). Also it wasn't printed in the magazine. But after several requests on the magazine's online blog, a JPG of the hand drawn schematic was made available."
To summarize the article, it was designed and built by Jack Rosenberg in 1949. Rosenberg was an electrical engineer working on the earliest digital computer projects at Princeton, as well an audiophile. It was known amongst his colleagues that he built his own home amplifier and it was judged to be far superior to commercially available models.
Erwin Panofsky, an art historian at Princeton and a friend of Einstein's, heard about Rosenberg's amplifier and asked Rosenberg if he would build one for "The Professor." He agreed, and along with Oppenheimer personally delivered the amplifier to Einstein at his home.
I'm presuming that up until the recent home-built project, the design was not built again as the schematic was not published (it remained in Rosenberg's personal papers until recently). Also it wasn't printed in the magazine. But after several requests on the magazine's online blog, a JPG of the hand drawn schematic was made available."
Projeto original do amplificador de Einstein
O projeto é bem simples, e pode ser facilmente montado por quem tem o conhecimento necessário para tanto. Eu mesmo penso em montá-lo um dia, quando o tempo assim me permitir. Uma versão simplificada do esquema foi desenhada pelo pessoal da Tubecad e postada em domínio público:
Realmente é uma estória interessantíssima! Eu confesso que fiquei curioso e ansioso em poder ouvir Bach e Mozart neste amplificador, exatamente como fazia Einstein.
Vou aproveitar a deixa para contar uma rápida estória sobre mim. Quando fiz vestibular, uma das opções de curso que cogitei era Engenharia Nuclear! Sou um grande fã de Einstein e até cursei uma extensão na UFMG em Física Quântica e Nuclear, por curiosidade rs.... aqueles que me conhecem pessoalmente provavelmente já me viram brincando com amostras de Óxido de Urânio-238 junto a meus contadores Geiger. Sim, sou um pouco cientista maluco! De médico e louco todo mundo tem um pouco... mas como não tive interesse pela medicina, acabei ficando só com a loucura mesmo!!!!
É isso meus amigos, aproveitem a postagem! Grande abraço!
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Chegaram! Novo estoque de válvulas NOS RCA 12AX7A!
Amigos,
Acabamos de receber 40 unidades da válvula RCA 12AX7A, especiais para áudio. Baixo ruído e baixa microfonia! Excelentes para quem estava aguardando a oportunidade para trocar suas válvulas por NOS.
Estas dão de mil a zero em qualquer válvula russa moderna, quem conhece as válvulas NOS sabe! As RCA são válvulas Premium de altíssima qualidade.
Acabamos de receber 40 unidades da válvula RCA 12AX7A, especiais para áudio. Baixo ruído e baixa microfonia! Excelentes para quem estava aguardando a oportunidade para trocar suas válvulas por NOS.
Estas dão de mil a zero em qualquer válvula russa moderna, quem conhece as válvulas NOS sabe! As RCA são válvulas Premium de altíssima qualidade.
terça-feira, 28 de julho de 2015
Testador Militar de Válvulas TV-2/U
Olá meus amigos! Este post será muito interessante para aqueles apaixonados por equipamentos de teste antigos.
Chegou à Regence Áudio para restauração um testador de válvulas militar TV-2! Vou começar falando um pouco sobre testadores, para aqueles que não conhecem nada do assunto.
Existem, de maneira resumida, dois tipos de testadores: aqueles que medem emissão e aqueles que medem transcondutância. Os testadores que medem emissão são bastante básicos e muito pouco úteis para o teste de válvulas de áudio. Na realidade, os testadores de emissão são pouco úteis para o teste de qualquer válvula, pois usam tensões baixas em sua maioria e realizam um teste muito rudimentar. Já os testadores por transcondutância testam a válvula em condições mais próximas de sua operação real, além de medirem diretamente a grandeza mais importante da válvula: sua capacidade de saída de corrente dada uma variação de tensão em sua entrada. Testadores militares foram produzidos para uso em campo de batalha, são extremamente robustos e bem construídos, sendo que os modelos se iniciam com as letras TV para os modelos americanos. Um dos mais comuns é o TV-7 (o qual usamos diariamente para medição de nossas válvulas), sendo os outros modelos (TV-2, TV-3, TV-10) mais raros. A maioria dos testadores caseiros medem emissão enquanto os militares medem transcondutância, dada a necessidade de testes confiáveis e mais precisos. Quem quer estar no meio de uma guerra sem poder usar o rádio porque não consegue achar uma válvula problemática graças a um testador ruim?
Pois bem . o TV-2 é um excelente testador, pois permite medir todos os parâmetros individualmente em cada teste de válvulas, graças aos seus medidores individuais. É um testador bem raro aqui no Brasil, mas recebemos um com defeito para restauração! Preciso confessar que este testador é lindo, uma beleza de se ver!
Recebemos este testador em estado de funcionamento desconhecido, sendo que seria necessário testar todas as funções de acordo com os testes de performance constante no manual de serviço que tínhamos em nossa biblioteca, a fim de avaliarmos todos os reparos a serem feitos.
Testador na condição em que nos foi entregue
Após uma análise técnica e uma inspeção visual, constatou-se vários problemas:
- Lâmpada PILOT não funcionava;
- Cabo de energia ressecado e quebradiço;
- Faltavam parafusos da tampa;
- Faltava a borracha de vedação ;
- Haviam componentes faltantes e incorretos devido a uma tentativa de reparo mal sucedida realizada anteriormente;
- O testador apresentava um curto interno, sinalizando curto entre-elementos mesmo sem nenhuma válvula inserida;
- Os indicadores de tensão de HEATER, SCREEN, PLATE e SIGNAL mostravam valores incorretos
- O indicador de de tensão de BIAS não funcionava;
- Os capacitores eletrolíticos de fonte exibiam corrente de fuga muito alta;
- Havia piche escorrido pelo interior do testador, sinalizando um possível aquecimento exagerado;
- Vários resistores internos estavam fora de tolerância em mais de 50%;
- Cabos de conxeão de placa ressecados.
Vamos tratar cada um dos problemas separadamente. Este post será longo!!
Lâmpada PILOT não funciona
Este aqui foi fácil! O soquete da lâmpada se quebrou. Como é um soquete comum para lâmpadas baioneta, substituímos por um novo idêntico ao original e estava resolvido!
Cabo de energia ressecado e quebradiço
É um problema bem comum devido a idade deste testador, que está datado de 1957! O cabo foi trocado por um novo cabo PP de 3 vias, igual o original usado. Neste testador, a tomada é aterrada ao chassi.
Falta de parafusos da tampa
Este parece um problema bem simples não é? Acreditem se quiser, não é NADA SIMPLES conseguir parafusos originais para estes tesadores! Infelizmente não existe um padrão universal de parafusos e roscas, e a maioria destes aparelhos americanos antigos usa parafusos pouco comuns de se encontrar. Quem nos conhece sabe que somos super chatos na hora de restaurar os itens que recebemos, e teríamos de encontrar os parafusos originais! Por sorte, mantemos um estoque de parafusos antigos e encontramos exatamente o que precisávamos!
Falta da borracha de vedação
Originalmente, estes testadores vinham com uma borracha que rodeava toda placa onde esta se encaixa ao chassi. Estes testadores foram fabricados para serem usados durantes as grandes guerras, e precisavam resistir a chuva, lama, e outra intempéries. Por este motivo eram vedados a fim de impedir que sujeira entrasse para dentro do aparelho. Neste caso aqui, achar a borracha original de nada adiantaria, pois uma borracha com 60 anos já não estaria mais em boas condições e com boa flexibilidade. Ou seja, não nos restou opção senão confeccionar uma borracha nova, cortando-a a mão! Trabalho de artesanato...
Corte da borracha com as dimensões da original
Provavelmente a borracha original se ressecou. Como sabemos quem alguém abriu este tesador antes (faltavam parafusos, componentes internos, haviam claros sinais de reparos anteriores mal sucedidos..) acreditamos que a borracha original ressecou e foi descartada na remontagem. Mas agora temos uma novinha!
Componentes faltantes e incorretos
Durante nossos testes e análises, verificamos a falta de alguns componentes eletrônicos (principalmente resistores), além de alguns valores incorretos instalados na placa principal. Muitos dos resistores originais eram de precisão, pois no caso destes testadores TV-2, toda a calibração era feita através do uso de resistores de 1% no circuito.
Imagens internas do testador, com componentes conforme foi recebido
Neste estágio, somente foram trocados e instalados os resistores incorretos ou faltantes. Mais tarde, iríamos conferir todos os resistores originais para garantir que estavam dentro de tolerância e assim prosseguir com a calibração do instrumento.
Testador apresentava um curto interno
Este é o pesadelo de qualquer restaurador de testadores de válvulas. Como vocês devem ter notado nas fotos anteriores, cada testador destes possui um incrível número de chaves e contatos, além de um enorme emaranhado de fios, o que confere a estes testadores grande flexibilidade, mas ao mesmo tempo, torna qualquer diagnose de curtos uma enorme dor de cabeça.
Primeiramente limpamos cada chave e cada contato com uma minúscula escovinha de dentista, embebida em limpa contatos 3M. Vale lembrar que não se deve NUNCA usar WD40 ou espirrar em toda a chave qualquer produto. Sempre se deve usar uma minúscula escovinha de dentista e limpar cada contato de cada chave um a um. É um trabalho de dias , mas é assim que deve ser feito.
Depois de feita essa limpeza inicial, prosseguimos seguindo TODO O CAMINHO de chaves e fios a fim de se localizar o curto. Gastamos 5 dias inteiros de trabalho, mas o curto foi diagnosticado como estando presente no soquete SUB-MINIATURE, que teria de ser trocado. Esses soquetes eram comumente usados em testadores militares e através de um rápido contato com nosso amigo Dan Nelson (a maior autoridade mundial em restauração de testadores) nos EUA, encontramos o componente, que teve de ser importado.
Soquete removido para troca
Indicadores de tensão de HEATER, SCREEN, PLATE e SIGNAL mostravam valores incorretos
Como este testador não possui ajustes internos para calibração, é óbvio que este problema só podia estar sendo causado pelos resistores de precisão que já estavam provavelmente fora de tolerância. Após checarmos TODAS as centenas de resistores, e trocarmos todos os defeituosos por resistores novos de metal filme com 1% de precisão, todos os indicadores de tensão passaram a funcionar corretamente, exceto o de BIAS, que será discutido a seguir.
Novos resistores instalados
Indicador de de tensão de BIAS não funcionava
Mais um problemas grave. Ou melhor, gravíssimo! Depois de alguns testes, constatou-se que o problema estava no galvanômetro... que dever ser simplesmente raríssimo! Além disso, como havia falado, estes testadores eram a prova de choque, respingos de água, lama... e para suportar tudo isso, todos os galvanômetros são selado, sendo que o vidro é soldado (sim, soldado, pode-se soldar o vidro). Não há como se abrir o galvanômetro para reparo. Ou existe um jeito?
Bom, quem nos conhece sabe que não desistimos fácil! SEMPRE, SEMPRE damos um jeito rs... a primeira opção e a mais óbvia foi tentar abrir o galvanômetro, na esperança que ele pudesse ser reparado. Para isso, usamos um pequeno maçarico da Dremel, controlando o calor para não danificar nada e nem trincar o vidro!
Maçarico Dremel VersaFlame
Infelizmente a sorte não estava do nosso lado. A bobina do galvanômetro estava rompida, e sem dados precisos e equipamento para tentar enrolar uma nova, era um caso perdido. E agora?
Bobina do galvanômetro removida
Este é o momento em que usamos toda nossa rede de contatos internacionais para buscar ajuda! Primeiramente tentamos encontrar um galvanômetro novo com o Dan Nelson, mas ele não tinha nenhum, e ainda pior, não fazia ideia de onde conseguiríamos achar um substituto! Se o maior restaurador destes testadores no mundo não sabia onde achar essa peça, estávamos em sérios problemas! Com muita perseverança e muitos e-mails trocados, finalmente achamos uma pista através da Associação Internacional dos Colecionadores de Válvulas (a qual somos associados). O proprietário de uma pequena lojinha nos EUA parecia possuir uma peça desta, nova, ainda lacrada na caixa, e estava disposto a vendê-la para a Regence Áudio! Uhul!!!! Foi um momento de felicidade rs...
Novo galvanômetro de BIAS
Efetuamos a troca do galvanômetro e bingo! A tensão de BIAS medida estava corretíssima.
Troca do galvanômetro de BIAS
Capacitores eletrolíticos de fonte exibiam corrente de fuga muito alta
Nosso intuito, na Regence Audio, é sempre manter a originalidade ao máximo de tudo que recebemos. Todo capacitor eletrolítico e testado com nossa Ponte LCR e sempre que possível e seguro, optamos por reformar os capacitores originais ao invés de substituí-los por capacitores modernos. É importante deixar claro que isso só é feito se tivermos a certeza de que os capacitores originais ainda estão em plena integridade e são capazes de, após reformados, funcionar com performance igual a capacitores novos. No caso deste testador, todos capacitores passaram por nossos testes de integridade e puderam ser reformados com sucesso! A originalidade absoluta do fonte foi mantida.
Capacitores eletrolíticos originais foram mantidos
Piche escorrido pelo interior do testador
Usualmente o piche sinaliza um possível super aquecimento dos transformadores. O piche era comumente usado nestes aparelhos a fim de evitar que líquidos entrassem nos transformadores de força e os danificassem. No entanto, o piche é um líquido (sim, um líquido) muito viscoso, que sob temperaturas um pouco mais altas, torna-se menos viscoso acaba escorrendo e fazendo bagunça...
Piche
Optamos por testar ambos transformadores, todos os taps de saída. Tudo estava dentro de tolerância, então, foi feita uma limpeza geral e o problema estava solucionado!
Resistores internos estavam fora de tolerância
Este problema foi sanado quando medimos todos os resistores para a calibração do aparelho, durante os reparos das tensões de HEATER, SCREEN, PLATE e SIGNAL.
Cabos de conxeão de placa ressecados
Os cabos de conexão por garra jacaré estavam ressecados e foram substituídos por posts banana, mais modernos, seguros e fáceis de se usar. Esta é uma modificação que foge do original, mas é recomendada principalmente por segurança. Estes cabos ficam soltos sobre o testador e durante os testes, apresentam tensões superiores a 250V. Eram usados desta forma porque, apesar do riso a segurança, cabos fixos eliminavam a chance de serem perdidos. Imagine você, no meio de um campo de batalha, tentando achar aquele cabinho necessário para testar uma válvula? Agora imagine perdê-lo e ficar sem rádio porque seu testador não servia para nada? Pois é, para o uso militar estes cabos tinham de ser fixos. No uso diário hoje, sempre recomendamos a troca por plugues banana, pois um choque neste caso pode ser fatal.
Cabos ressecados
Últimos reparos
Por fim, tudo foi conferido, limpo e remontado. Como se sabe, encontrar galvanômetros para estes testadores é quase impossível, e devemos fazer de tudo para impedir que os mesmos se danifiquem. Um truque muito usado para isso é a instalação de diodos ligados em anti paralelo em todos os galvanômetros que operam com tensões de poucos milivolts.
Diodos de proteção para galvanômetros
Finalmente todas as válvulas internas foram checadas uma última vez, válvulas extras foram instaladas na parte interna e a caixa foi limpa. Uma válvula 6L6 foi usada para confirmar o correto funcionamento.
Fase final de montagem e testador em funionamento
Ufa, esse deu um trabalhão! Mas ficou lindo e perfeito! Tenho certeza que poderá ser usado por muitos anos sem qualquer incidente!
Testador pronto para mais 60 anos de serviço
É isso pessoal, mais uma restauração bem sucedida! Em breve mais novidades :)
Happy testing!
terça-feira, 14 de julho de 2015
Momento DIY - Caixas Open Baffle Electro Voice
E agora uma postagem um pouco diferente... desta vez resolvemos criar uma caixa DIY Open Baffle, usando componentes famosos da Electro Voice.
Sempre li sobre as caixas Open Baffle pela internet e sempre tive curiosidade de ouvir um par. Como gosto de me aventurar fazendo tudo eu mesmo, decidi que talvez fosse hora de fazer minha primeira caixa Open Baffle.
Antes de começar, tive que comprar algumas ferramentas rs... percebi que precisaria de uma tupia, para fazer o rebaixo do falante! Caixas Open baffle são simples de serem feitas, mas é necessários fazer cortes precisos e um rebaixo bem acabado.
Os falantes escolhidos foram da década de 60:
- Electro-Voice SP15 Woofer
- Electro-Voice T350 Tweeter
Os tweeters T350 são considerados, nada mais nada menos, que os melhores tweeters de todos os tempos! Se não acreditam, basta pesquisar na net e acharão milhares de informações e reviews. Como não poderia deixar de ser, infelizmente os T350 são um tanto quanto raros e acredito existirem poucos exemplares no Brasil, sendo que a maioria está em SP, na casa de alguns amigos nossos.
Para a confecção da caixa, usou-se MDF de 21mm e o primeiro passo foi fazer o corte e o rebaixo do Woofer:
Corte e rebaixo para o Woofer
Em seguida, foi feito o corte para o tweeter T350 e foram instalados os pés e abas laterais ajustáveis, com dobradiças. Uma proteção também foi confeccionada para os woofer SP15, usando-se tecido ortofônico e fita de cobre:
Montagem dos componentes
Corte para tweeter T350
Agora que já temos a caixa neste estágio, partimos para as audições e a confecção e ajuste do crossover. Foram muitas horas agradáveis de audição para se chegar ao projeto final. Na foto a seguir a caixa já encontra-se tocando. É possível ver também que já foi dado o acabamento final nas abas laterais.
Audições preliminares
Em seguida foi instalada uma tela frontal com tecido ortofônico e dado o acabamento final a toda a caixa.
Acabamento final
Agora era só ouvir por muitas horas e aproveitar! As caixas ficaram muito bonitas e a sonoridade é única. Percebo porque caixas Open Baffle se tornaram tão populares... é uma questão de paixão: ou você ama ou as odeia! Eu confesso que apesar de terem graves menos pronunciados e precisos, a reprodução de vocais é simplesmente deslumbrante!
Caixas prontas e tocando em nosso espaço!
Por enquanto é tudo pessoal! Grande abraço e vamos ver se não fomentamos o DIY em áudio neste nosso País!
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