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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Pré Amplificador McIntosh C11

Olá pessoal,

Ultimamente tudo tem sido uma correria. Tenho recebido um volume enorme de equipamentos para reparo e mal tenho conseguido manter minhas entregas em dia. Percebi que havia deixado o blog de lado por alguns dias e isso não pode acontecer! Então estou aproveitando meu mínimo tempo livre para postar sobre os trabalhos que tenho feito recentemente.

Chegou a vez de um McIntosh C11. Para quem não conhcece, o C11 é um excelente pré, e quase uma cópia do C22, mas com algumas funções a menos (funções estas que a maioria de nós nunca irá usar). Na minha opinião, o C11 é o melhor custo benefício em pré vintage da McIntosh, pois não são muito caros e possuem uma sonoridade de fazer qualquer um se surpreender.

Este C11 que recebi veio para uma revisão geral. Como sempre, primeiro desmonto e faço uma inspeção visual para avaliar se já foram feitos reparos no passado e se existe algo mal feito ou que necessite ser refeito por algum motivo. No caso deste C11, levei o maior susto.


 Vista interna do C11 conforme recebido


 Vista detalhada dos capacitores de fonte

Qualquer um que entenda um pouquinho de eletrônica já viu o problema pelas fotos não é verdade? Para aqueles que não entendem, o problema é que os eletrolíticos originais foram desconectados e capacitores novos foram instalados em seu lugar... mas foram soldados sem qualquer cuidado com fixação ou layout. Isso, meus amigos, é um trabalho ABSURDAMENTE PORCO. Devia ser crime. Um reparo como estes possui consequências muito mais graves que um simples mal funcionamento do aparelho: o usuário pode ser eletrocutado, pois terminais com 400 Volts estão próximos de peças de metal do aparelho. 

Quero aproveitar este momento para desabafar... fico EXTREMAMENTE CHATEADO com pessoas que executam reparos como estes por aí. E não são raras. Muito pelo contrário, uma parte expressiva dos aparelhos que recebo estão com componentes soltos, ou colados com super bonder, ou até fita crepe. Isso é pura PREGUIÇA de quem efetuou o reparo, que ao invés de fazer o trabalho da maneira certa, preferiu embolsar o dinheiro do dono e fazer um serviço rápido e porco. Uma lástima ver que mesmo em um meio tão seleto existem pessoas assim.

Bom, vamos prosseguir. Que este post sirva de lição para que os 'gambiarreiros' por aí aprendam a trabalhar. Aproveitando, vou até mudar um pouco minha forma de escrever este post a fim de transformá-lo em um tutorial.

Quando os capacitores da fonte secam ou se danificam, a forma correta de reparo é a troca por outros modernos com o mesmo encaixe e valores de capacitância. Infelizmente, encontrar substitutos modernos com a mesma combinação de capacitância é quase impossível. Outra opção é substituir por capacitores individuais, mas esteticamente, o interior do aparelho fica muito comprometido. A opção ideal, ao meu ver, é reformar os capacitores, desmontando cada um dos capacitores multi-seção e instalando, internamente, substitutos modernos ELNA ou NICHICON especificados para 105C ou 130C.


Conteúdo do capacitor multi-seção removido

Este processo de restauração dá MUITO TRABALHO, e não conheço ninguém no Brasil que o faça. Não, não estou dizendo que é impossível, nem mesmo difícil. Só estou dizendo que dá trabalho, e até hoje, nunca recebi um aparelho que tivesse sido reparado desta forma.
Depois de desmontado, o capacitor multi-seção tem que ser remontado e novamente selado, para que possa ser devidamente instalado de volta ao chassi do aparelho que está sendo reparado.

Capacitor reformado e pronto para uso

Aprenderam, caros técnicos gambiarreiros? Espero um dia não ver mais aparelhos com este tipo de reparo.

Aqui, na Regence Audio, temos orgulho dos reparos que fazemos, e todos aparelhos que passam por nós possuem uma etiqueta com nossa logo. É assim que nossos clientes têm a garantia de que o reparo foi feito por uma empresa séria e que tem orgulho e coragem de estampar sua marca naquele serviço.

Por sorte, estes eram os únicos problemas deste C11. Aparelho entregue, cliente satisfeito!


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Prés Valvulados McIntosh C8

Recebi um par de aparelhos para restauração... e esses são bem raros! Vocês já viram (ou ouviram falar) dos prés C8 da McIntosh? Estes foram um dos primeiros esforços da McIntosh dentro do mundo do áudio hi-end... o C8 foi produzido de 1955 até 1959, e é bem raro de ser encontrado aqui no Brasil, apesar de existirem alguns por aí.

Não quero criar um post muito longo. Como sabem, sou apaixonado pela estória de equipamentos valvulados antigos, então poderia contar a estória da McIntosh todinha aqui! Mas vou resumir apenas uma minúscula parte relativa aos primeiros prés lançados pela marca, como curiosidade.

O primeiro pré comercial lançado pela McIntosh foi o AE-2, em 1950. Em seguida foram lançados o C104 (ainda em 1950), o C108 (1954), o C4 (também em 1954), o C8 (1955), o C20 (1959), o C11 (1961) e finalmente o C22 em 1963. Além destes, existiram variações como o C4P, o C8P, o C8S e inúmeros outros modelos mais recentes que os listados aqui, obviamente. Como disse, apenas resumi rapidamente os principais e mais icônicos prés que a McIntosh fabricou em seus primeiros anos, em ordem cronológica. Os AE-2, C104, C108, C4 e C8 eram mono e alimentados pela fonte D8 ou diretamente pelos Powers (como os MC30 ou MC60), através do cabo Octal. O C20 foi o primeiro pré estéreo da McIntosh e sua versão Série 1 (o primeiro lançado, com a barra dourada horizontal na frente) é considerado por muitos como um dos melhores prés de todos os tempos, ao lado do Marantz 7. Steve Hoffman, por exemplo, o elogia muito em seu fórum.

Vamos voltar então ao C8! Recebi um par para restauração, que estava em péssimo estado. Péssimo é um eufemismo, pois estavam realmente muito, mas muito ruins! O estado estético estava deplorável e internamente todos componentes estavam fora de tolerância: os switches estavam oxidados, os eletrolíticos de fonte estavam totalmente secos, os conectores traseiros totalmente enferrujados e faltavam válvulas. Enfim, precisavam de uma restauração completa!

Capacitores eletrolíticos foram  abertos com Dremel e reformados 
com equivalentes modernos da Nichicon e Panasonic

Para quem não conhece estes prés, a grande vantagem deles sobre qualquer outro é sua habilidade de reproduzir qualquer curva de equalização para vinil já criada, graças a seus inúmeros filtros internos. Para quem coleciona LPs, principalmente os mais antigos, o C8 é um pré obrigatório de se ter! 
Vale lembrar que é um pré mono, então para estéreo serão necessários 2 aparelhos. 

Queria aproveitar este post para ressaltar que estes prés, se bem restaurados, possuem ótima sonoridade, e é por este motivo que os orientais procuram tanto este pré para usá-los com Vinil. São extremamente bem elogiados e procurados pelos japoneses. O grande problema é que poucos sabem como restaurar adequadamente aparelhos tão antigos: a escolha de cada um dos componentes é crucial para manter a sonoridade fiel à original. Além disso, a McIntosh soltou diferentes revisões destes primeiros prés (mantendo o mesmo modelo C8), que possuem circuitos internos diferentes! Ou seja, muitos possuem um par que, na verdade, não é um par. Tudo isso acaba contribuindo para um resultado muito aquém do que eles são capazes...

A restauração foi bem trabalhosa, mas com carinho e paciência, tudo é possível! Os aparelhos foram completamente restaurados. A performance final foi medida com um analisador de áudio e de espectro, e o resultado ficou excelente. O último teste, como sempre, foi a audição, por longas e prazerosas horas.

Bom pessoal, como sempre, estou à disposição para tirar dúvidas. Fiquem a vontade para comentar ou me procurar por e-mail.

Abaixo, deixo com vocês as fotos do antes e depois!


 McIntosh C8 antes da restauração

Par de McIntosh C8 após restauração,com suas
respectivas fontes de alimentação