segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Porque usar um sistema Hi-End vintage valvulado?

Uma pergunta com a qual frequentemente nos deparamos é: 'Porque usar um sistema Hi-End vintage valvulado?'

Em nossa opinião, o conceito, projeto e construção de equipamentos de áudio modernos e vintage são absurdamente diferentes.
Vamos começar falando a respeito da vida e do cotidiano dos anos 40 e 50, o início da era Hi-Fi. Nesta época, a vida cultural relacionada a música consistia basicamente em concertos ao vivo, e o uso de amplificadores e sistemas de processamento de sinais praticamente inexistia. Neste período, o que se ouvia eram os músicos e seus instrumentos, sem qualquer outra variável que pudesse interferir naquilo que era ouvido em uma performance ao vivo. Além disso, a ida a concertos era frequente, e como consequência, as pessoas treinavam seus ouvidos à sonoridade da música em seu estado natural.

Nesta época, não se dispunha de sistemas e equipamentos de teste automáticos como se dispõe hoje. Não era possível medir deterministicamente e com grande precisão valores de distorção harmônica e energia espectral, além de inexistir a teoria de Thiele-Small para caracterização e projeto de caixas acústicas e alto-falantes (a qual só surgiria em 1961).  Não era possível projetar e testar um sistema Hi-End por completo em bancada, utilizando-se instrumentos de medição, como hoje é feito. Era preciso usar algo diferente para se testar os amplificadores, prés e caixas acústicas...

E o que usar então, já que inexistiam sistemas de teste e teorias modernas que suportassem as medições e o projeto destes equipamentos Hi-End vintage valvulados?

A resposta é muito simples: tinham de usar os ouvidos. E faz sentido, afinal, este era o melhor equipamento de medição disponível! Mas não apenas isso... era exatamente com este instrumento que o cliente e usuário dos equipamentos Hi-End também mediria a qualidade da música sendo reproduzida.

Saul Marantz (MARANTZ) era grande adepto desta metodologia. Durantes seus primeiros desenvolvimentos valvulados, todos os equipamentos eram projetados utilizando uma ferramenta excepcional de medição: seus ouvidos! Ouvidos treinados e acostumados à vida cultural da época, com frequentes idas a concertos ao vivo. E seus clientes e usuários não eram diferentes: também já estavam com seus ouvidos treinados e bem acostumados ao som ao vivo, e esperavam ter a mesma sensação ao ouvir uma gravação em suas salas. Saul e inúmeros outros projetistas da época sabiam disso.

Na Regence Áudio, acreditamos que sistemas vintage valvulados possuem uma sonoridade muito característica e admirável. A dinâmica dos sistemas impressiona quem ouve e a explicação e esta: Estes aparelhos foram projetados tendo um único objetivo: reproduzir fielmente a música ao vivo.

Acreditamos que equipamentos de teste devam e precisam ser usados durante o projeto, é claro! Mas só isso não basta para se obter a perfeição na arte de projeto de equipamentos hi-end. Medições objetivas devem servir de suporte , a fim de se obter uma correlação entre aquilo que é medido e aquilo que é ouvido.

Abaixo, uma pequena parte de um texto publicado pela Stereophile em 2012 :

"The best vintage gear offers an abundance of musically agreeable qualities that are missing from even the best contemporary gear".

O artigo 'Top 5 Tube Amps' também traz comentários a respeito das qualidades dos sistemas vintage:

"Although modern amplifiers have a host of great features, many listeners feel these products cannot offer the same great sound quality as those from past decades. In particular, products designed from the late 1960s through the '80s are considered to be some of the finest pieces of electronics, and they are sought for their superior sound quality and overall construction. "

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